Entendendo a plataforma Centrino
GDH PRESS - 05/10 – 1:39 pm
Sem dúvida, vender um pacote com processador, chipset e placa wireless é muito mais lucrativo do que vender apenas o processador. Controlar o desenvolvimento dos três componentes facilita também o desenvolvimento de sistemas mais eficientes de gerenciamento de energia e otimizações em geral.
A idéia por trás de todo o marketing em torno da marca “Centrino” é convencer os compradores de que os notebooks com o selo são uma escolha segura. A partir do momento em que os compradores passam a preferir notebooks baseados na plataforma, a Intel pode trabalhar com margens de lucro maiores e assim maximizar os lucros, ao mesmo tempo em que mantém o controle sobre toda a plataforma.
Fabricantes, como a nVidia, Broadcom, Ralink, Atheros, VIA, SiS, Realtek e outros vendem chipsets e placas wireless a preços mais competitivos que a Intel. Em muitos casos os produtos alternativos são inclusive claramente superiores, como no caso das soluções de vídeo onboard da nVidia e ATI, que superam em muito os chipsets de vídeo da série GMA900 utilizados nos chipsets Intel. Apesar disso, o marketing em torno da marca Centrino faz com que os fabricantes prefiram utilizar os chipsets e placas wireless da Intel, relegando os produtos de outros fabricantes aos modelos de baixo custo ou a configurações específicas.
A única brecha importante para o uso de componentes “não-Intel” em notebooks Centrino é no caso de chipsets de vídeo alternativos. Embora os chipsets Intel mais usados sejam os chipsets da linha “GM”, que incluem vídeo onboard, estão disponíveis também os chipsets da linha “PM”, que são idênticos, mas não incluem o chipset de vídeo. Eles permitem que os fabricantes de notebooks incluam chips ou placas MXM ou AXION da nVidia ou ATI sem com isso abandonar o uso da marca “Centrino”. Entre os notebooks mais caros, é comum o uso de placas nVidia offboard no lugar do fraco vídeo Intel onboard.
A primeira encarnação da plataforma Centrino foi lançada em 2003 e responde pelo codenome Carmel. Ela consiste na combinação de um Pentium M com core Banias ou Dothan, um chipset i855 e uma placa wireless Intel 2100 ou 2200.
O chipset Intel 855 oferece suporte apenas a memórias DDR e as placas wireless Intel PRO/Wireless 2100 ainda utilizam o padrão 802.11b (11 megabits), sem suporte ao 802.11g, o que hoje em dia são duas pesadas limitações. A questão da placa wireless foi solucionada em 2004, com o lançamento da Intel PRO/Wireless 2200, que pode operar tanto em modo b quanto g. Quase todos os notebooks Centrino produzidos a partir do segundo trimestre de 2004 já são equipados com a placa wireless atualizada.
Em 2005 foi lançada a segunda geração, sob o codenome Sonoma. Nessa época, o Banias já havia sido descontinuado, de forma que passou a ser usado exclusivamente o Pentium M com core Dothan. O limitado 855 foi substituído pelo Intel 915, que trouxe o suporte a memórias DDR2, SATA, slots Express Card, áudio HDA e bus de 533 MHz.
O uso de memórias DDR2 ajuda a reduzir o consumo elétrico, já que os módulos utilizam uma tensão mais baixa. Existe também um pequeno ganho com relação à compatibilidade com módulos de diferentes fabricantes, já que os módulos DDR2 possuem um terminador resistivo dentro de cada chip, o que garante uma melhor qualidade de sinal e reduz o número de casos de incompatibilidade, sobretudo ao utilizar dois módulos diferentes.
A partir do Intel 915, todos os chipsets mobile da Intel oferecem suporte a dual-channel (com exceção dos chipsets da linha “GMS”, como o 915GMS, que são uma linha de baixo custo, com um controlador single-channel). Apesar disso, a maior parte dos notebooks não vem com o recurso ativado, simplesmente porque o uso de dual-channel exige o uso de dois módulos de memória, o que aumenta os custos. Nada impede, entretanto, que você instale um segundo módulo de memória, ativando assim o dual-channel.
Com relação à placa wireless, os notebooks baseados na plataforma Sonoma podem utilizar tanto a PRO/Wireless 2200 (BG) quanto a 2915ABG, que, como o nome sugere, oferece como diferencial o suporte também ao padrão 802.11a.
Temos ainda a plataforma Santa Rosa, lançada em 2007. Ela prevê o uso de um processador Core 2 Duo soquete P (bus de 800 MHz), combinado com um chipset Intel 965 e uma placa wireless Intel 4965AGN.
O sistema de gerenciamento de energia foi atualizado, de forma a (além de ajustar a freqüência do processador) permitir a redução da freqüência do FSB de 800 para 400 MHz nos momentos de baixa atividade, ajudando a compensar o aumento de consumo trazido pelo uso do bus de 800 MHz (recurso batizado de “Dynamic Front Side Bus Switching”).
A redução da freqüência do FSB resulta em uma economia relativamente pequena, de menos de 1 watt. Entretanto, muitos notebooks ultra-compactos baseados na plataforma Centrino chegam a consumir apenas 12 watts ou menos (incluindo a tela) quando o processador está operando na freqüência mais baixa, de forma que qualquer nova redução acaba tendo um impacto significativo. Outro recurso divulgado ao extremo pela Intel é o “Turbo Memory” (tecnologia Robson), onde é utilizado um módulo de memória Flash ligado ao barramento PCI Express em conjunto com o ReadyDrive do Vista, de forma a melhorar o desempenho do acesso ao HD e aumentar a autonomia da bateria.
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